O operador de logística Paulo Araújo, de 38 anos, tornou-se, na sexta-feira (6), o segundo paciente da Bahia a receber um tratamento experimental com a enzima polilaminina, considerada por pesquisadores uma das abordagens promissoras para lesões medulares agudas. O procedimento foi realizado no Hospital Mater Dei Salvador (HMDS) e é o primeiro caso conduzido em um hospital privado do estado dentro do protocolo de pesquisa autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Paulo sofreu uma perfuração por arma de fogo ao sair do trabalho durante uma tentativa de assalto, em dezembro de 2025. O projétil atingiu as costas e provocou uma lesão raquimedular completa na altura da vértebra T2, o que levou à perda dos movimentos do peito para baixo e o deixou paraplégico.
Após conhecer o tratamento por meio de uma reportagem, ele entrou em contato com a farmacêutica responsável pela pesquisa e conseguiu se enquadrar no protocolo experimental, autorizado pela Anvisa e pelo laboratório responsável pelo desenvolvimento da enzima.
O procedimento foi conduzido pelo neurocirurgião Marco Aurélio Brás de Lima, do Rio de Janeiro, e pelo cirurgião de coluna do Hospital Mater Dei, Fabrício Guedes, com apoio de uma equipe multidisciplinar.nSegundo o especialista, a aplicação da enzima foi feita diretamente na medula espinhal. “A aplicação foi feita por meio de agulhas especiais posicionadas na região da lesão. Como o dano medular é extenso, realizamos a aplicação de forma fracionada em diferentes pontos da área afetada, com o objetivo de ampliar a distribuição da substância e favorecer o ambiente de regeneração neural”, explicou o médico.
O médico Fabrício Guedes, disse que o prazo de 72 horas citado em estudos não está relacionado especificamente à ação da enzima polilaminina, mas ao tempo considerado ideal para o tratamento de lesões na medula. "Nesse período, a recomendação é realizar a cirurgia para descomprimir e estabilizar a coluna, o que aumenta as chances de recuperação neurológica. No caso de Paulo, esse procedimento foi feito dentro das primeiras 72 horas após o ferimento por arma de fogo. Por isso, ele pôde ser incluído no estudo e receber posteriormente a aplicação da enzima, que pode ser administrada até 90 dias depois da lesão", falou o médico.
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